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domingo, 15 de dezembro de 2013

O INTEGRALISMO

Gustavo Barroso

Gustavo Barroso

O Integralismo não é um partido político, nem de modo algum deve ser confundido com qualquer partido político. Os partidos representam interesses parciais dum grupo de eleitores organizados à sombra dum programa destinado à duração dos mandatos daqueles que elege. O Integralismo põe o interesse da Nação acima de todos os interesses parciais ou partidários e se guia por uma doutrina, não por umprograma.

Programa é um projeto ou resolução daquilo que se pretende fazer em um tempo determinado. Doutrina é um conjunto de princípios filosóficos, morais e científicos no qual se baseia um sistema político por tempo indeterminado. A diferença é essencial. Uma doutrina dá origem à incalculável número de programas. Um programa não produz nenhuma doutrina.

- Se não é partido, que é, então, o Integralismo? – perguntarão todos quantos se viciaram em compreender a política como simples jogo e manejo de partidos.

O Integralismo é uma Ação Social, um Movimento de Renovação Nacional em todos os pontos e em todos os sentidos. Prega uma doutrina de renovação política, econômica, financeira, cultural e moral. Prega essa doutrina, completa-a e a amplifica constantemente com seus estudos, e prepara os homens capazes de executar as medidas dela decorrentes. Abrange, nos seus postulados, indagações e finalidades, todas as atividades nacionais. Bate-se, não por um programa partidário regional ou local, - autonomista, evolucionista, constitucionalista, partido republicano mineiro, partido republicano paulista, partido democrático, etc.; mas pela construção duma Grande Pátria dentro duma doutrina que contenha princípios definidos desde as concepções do Mundo e do Homem até às dos fatores materiais econômicos.

Isto é uma Política, da qual decorre uma administração. Os partidos somente são capazes de chegar até um programa de administração. O Integralismo constrói uma Doutrina Política, em consequência da qual poderá formular inúmeros programas de administração.

Por isso, o Integralismo não compreende e não quer o Brasil partido, dividido: dum lado, o povo alistado em dezenas e mesmo centenas departidos, votando em milhares de legendas que subpartem os partidos, sempre contrário ao governo, como se este fosse seu pior inimigo; dum lado, o povo iludido pelos politiqueiros, contrapondo-se ao Estado que o esfola com os impostos; do outro, esse Estado manobrado pelo partido que dele se apoderou por meio do voto, oscilando ao sabor das forças paralelas a ele – corrilhos eleitorais ou financeiros, etc., tornado meio de satisfazer apetites, quando deve ser um fim para satisfazer o bem público; mas compreende e quer o Brasil - Unido, isto é, o Brasil - Integral, com o Estado e a Nação confundidos num todo indissolúvel.

O Estado não deve ser somente o governo, a administração dum país. A Nação não deve ser somente a comunidade dos indivíduos unidos pela origem, pela raça, pela língua ou pela religião sob o mesmo regime político. A Nação e o Estado devem integrar-se num corpo só, na mesma associação de interesses e de sentimentos, confundindo-se na mesma identidade e para os mesmo fins.

Na Doutrina Integralista, a Pátria Brasileira deve ser uma síntese do Estado e da Nação, organizada sobre a base corporativa. A sociedade humana não vale somente pelo que apresenta aos nossos olhos; vale muito mais ainda pelo que nela existe e não conseguimos ver, isto é, as forças ocultas do seu Passado e do seu Espírito. Os homens prendem-se ao Passado através de seus ascendentes, cujas características essenciais herdam, cujas conquistas morais, intelectuais, técnicas e materiais lhes são transmitidas como um verdadeiro patrimônio. Essa herança é a civilização e nela as gerações que se sucedem são solidárias.

Compostas de homens, as Nações ligam-se ao passado pelas suas tradições de toda a espécie. Enraizada nelas é que a Pátria Brasileira deve florescer no Presente para frutificar no Futuro.

O regime corporativo une os sindicatos de trabalhadores, de técnicos e de patrões, coordena seus esforços e transforma-os de organismos políticos de luta em organismos políticos, sociais, econômicos, morais, educativos, de equilíbrio e de cooperação.

A fim de realizar o que pretende, o Integralismo não apela, como os extremistas, para a brusca subversão da ordem social e conseqüente inversão de todos os seus valores, para os atos de banditismo, vandalismo ou terrorismo, para bombas de dinamite e atentados pessoais, para sabotagens e greves que ainda mais precária tornam a situação do pobre operário; mas para o valor do próprio homem, sua dignidade de ser pensante, suas virtudes patrióticas, suas reservas morais, sua tradição religiosa e familiar, seu amor pelo Brasil, sua crença em Deus!

Querendo a grandeza da Pátria Brasileira, o Integralismo por ela se bate em todos os sentidos. Essa grandeza somente pode alicerçar-se na alma das massas trabalhadoras de todo o país, libertadas ao mesmo tempo da exploração econômica do capitalismo sem pátria e da exploração política dos caçadores de votos ou dos extremistas fingidos, que falam em nome de operários e camponeses sem serem nem operários, nem camponeses.

Pelo Integralismo, a grandeza da Pátria Brasileira se fará pela renúncia dos interesses pessoais em favor dos interesses nacionais, a pureza dos costumes públicos e privados, a simplicidade da vida, a modéstia do proceder, a integridade da família, o respeito à tradição, a garantia do trabalho, o direito de propriedade com seus deveres correlatos, o governo com autoridade moral e mental, a unidade intangível da Nação e as supremas aspirações do espírito humano.

Integralismo quer dizer soma, reunião, integralização de esforços, de sentimentos, de pensamentos, ao mesmo tempo de interesses e de ideais. Não pode ser um simples partido. É coisa muito mais elevada. É um movimento, uma ação, uma atitude, um despertar de consciências, um sentido novo da vida, a marcha de um povo que desperta!

Batendo-se pela felicidade do Brasil dentro das linhas de seus grandes destinos, condicionadas pelas suas realidades de toda a ordem, o Integralismo quer que o pensamento dos brasileiros não se divida e enfraqueça na confusão de doutrinas ou programas; quer que se una e some ao influxo de uma mesma doutrina político-social. Porque essa base doutrinária é imprescindível para a construção do ESTADO INTEGRAL BRASILEIRO, ESTADO HERÓICO pela sua capacidade de reação e de sacrifício, ESTADO FORTE pela sua coesão, sem fermentos desagregadores dentro de si, no qual, como fator indispensável de independência, se tenha processado a emancipação econômica e, como condição principal da unidade da Nação, tenham desaparecido as fronteiras interestaduais.

Para a realização de tão grande obra política, econômica e social, o Integralismo tem de combater sem tréguas e sem piedade toda a repelente imoralidade do atual regime de fraudes, enganos, corrupção e promessas vãs, bem como todo o materialismo dissolvente da barbárie comunista que alguns loucos apontam como salvação para nosso país. O atual regime pseudo-liberal e pseudodemocrático é um espelho da decadência a que chegou o liberalismo, que procurou dividir a nação com regionalismos e separatismos estreitos, implantando ódios entre irmãos, atirados às trincheiras da guerra civil; com partidos políticos transitórios que sobrepõem as ambições pessoais aos mais altos interesses da Pátria e pescam votos, favorecendo os eleitores com um imediatismo inconsciente, em que tudo concedem ou vendem, contanto que atinjam as posições.

Esse regime fraco e vergonhoso escravizou o nosso Brasil, o pouco capital dos brasileiros e o trabalho das nossas populações abandonadas ao banqueiro internacional por um criminoso sistema de pesados, aladroados e sucessivos empréstimos externos, cuja funesta e primeira consequência é o esfolamento pelos impostos.

O comunismo que agitadores estrangeiros, aliados a brasileiros vendidos ou inconscientes, inimigos da Pátria, nos prometem, quer a destruição das pátrias, da propriedade e da família, a proletarização das massas e a materialização do homem em todos os sentidos. Tirando ao indivíduo suas crenças e tradições, sua vida espiritual e sua esperança em Deus, sua família – que é sua projeção no Tempo -, e sua propriedade – que é sua projeção no Espaço -, arranca-lhe as forças de reação, todos os seus sentimentos, deixa somente a fera humana e prepara-o, assim, para definitiva escravização ao capitalismo internacional disfarçado em capitalismo de Estado.

O Povo Brasileiro debate-se em verdadeira angústia econômica e anseia por novo padrão de vida; debate-se numa completa desorganização de sua existência pública e almeja nova forma de justiça social; debate-se em formidável anarquia de valores e na incultura geral, e precisa formar sem detença homens escolhidos que possam resolver os grandes e graves problemas da Nação.

Urge a transferência completa do Brasil para salvá-lo, novo conceito de vida, novo regime, novo quadro de valores. Essa transformação completa, integral da Sociedade Brasileira fatalmente terá de ser o resultado duma transformação completa, integral da Alma Brasileira no sentido do rigoroso cumprimento de todos os deveres para com a Família, para com a Pátria e para com Deus.

A lição de Jacques Maritain manda a Razão submeter-se a Deus, que é Espírito, e à Ordem Espiritual por Ele instituída.

Só uma Revolução Moral pode produzir uma grande, digna e benéfica Revolução Social. Porque esta é projeção daquela. Por isso, a Doutrina Integralista afirma que a primeira revolução do Integralismo é a Revolução Interior.

(Transcrito das págs. 9 até 16 de “O que o Integralista deve saber”. 1ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1935, 214 págs.)


sábado, 14 de dezembro de 2013

GUSTAVO BARROSO


Sérgio de Vasconcellos

Em Outubro de 1932, Plínio Salgado fundou o Integralismo. Nos meses subsequentes, centenas de Núcleos Integralistas surgiram por todo o País. Em fins de 1932, Ovídio Gouvêa da Cunha, um jovem estudante de Sociologia, ouvindo falar em Integralismo, dirige-se a São Paulo, e lá, encontra-se com Plínio Salgado e M. Reale, dividindo a mesma mesa, numa modesta sala na Av. Brigadeiro Luis Antônio Nº 12, a primeira Sede Nacional da A.I.B. O próprio Plínio Salgado fornece-lhe alguns exemplares do Manifesto de Outubro. Voltando ao Rio, Ovídio Cunha – que aderira ao Sigma -, encontra-se com Gustavo Barroso e entrega-lhe um dos Manifestos, que recebera das mãos do Chefe Nacional. Esse foi o primeiro contato do Autor de “Terra do Sol” com a Doutrina Integralista.

Ovídio Cunha

Prosseguindo em sua tarefa Revolucionária, Plínio Salgado vem ao Rio, em 1933, e pronuncia uma série de Conferências Doutrinárias no Salão da Associação dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro. Ao final de uma delas - em que demonstrava como a Filosofia Integralista conciliava o livre arbítrio, o determinismo e o providencialismo -, um homem dirige-se a Plínio Salgado e pede simplesmente um distintivo, o Chefe retirou o que usava na lapela e presenteou o desconhecido. Tratava-se de Gustavo Barroso, e esse foi o seu segundo e decisivo contato com o Integralismo.

Gustavo Barroso, Joaquim de Araújo Lima, Plínio Salgado, Manoel Ferraz Hasslocher e Raimundo Barbosa Lima (Matinas de Abril, no Rio de Janeiro).

Ainda nesse ano de 1933, Plínio Salgado lança os dois primeiros livros Integralistas – “Psicologia da Revolução” e “O que é o Integralismo” -, e parte junto com Thiers Martins Moreira, Capitão Aristófanes do Vale e Hermes Barcelos, na Primeira Bandeira Integralista, que singrou diversos Estados, chegando até o Ceará, de onde iniciou o retorno ao Rio de Janeiro. Em Vitória, Capital do Espírito Santo, Plínio Salgado encontra-se novamente com Barroso – que publicara “O Integralismo em Marcha”, o terceiro livro Integralista – e com Madeira de Freitas - médico afamado e escritor muito conhecido sob o pseudônimo de Mendes Fradique -, um dos principais articuladores do Movimento no Rio de Janeiro.

O ingresso de Gustavo Barroso na Ação Integralista Brasileira causara grande impacto na opinião pública, pois, Barroso era figura de projeção nacional e internacional. Fundador do Museu Histórico Nacional, Presidente da Academia Brasileira de Letras, ex-Deputado Federal, Folclorista, Historiador, Museólogo, Romancista, Contista, enfim, um homem brilhante, inteligentíssimo, com vasta produção literária em vários campos do conhecimento, só superado por Coelho Neto em quantidade de livros editados. No Integralismo foi Chefe da Milícia, e com a extinção desta, Secretário Nacional de Educação (Moral, Cívica e Física) da A.I.B. Escreveu os seguintes Livros Integralistas: “O Integralismo em Marcha”, “A Palavra e o Pensamento Integralista”, “O Integralismo de Norte a Sul”, “Brasil – Colônia de Banqueiros”, “História Militar do Brasil”, “Integralismo e Catolicismo”, “Espírito do Século XX”, “O que o Integralista deve saber”, “O Quarto Império”, “Comunismo, Cristianismo e Corporativismo” e outros. A leitura, não apenas de suas Obras Integralistas, mas de todos os seus Livros, é recomendável a todos os Brasileiros, particularmente, aos Integralistas, pois, neles se aprende Brasil.














quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Gustavo Barroso: Um Brasileiro Imortal*

Sérgio de Vasconcellos**

Companheiros.

1 – A finalidade desta Palestra, e reconheço a desproporção entre a exiguidade da mesma e sua pretensão, repito, a finalidade é demonstrar que Gustavo Barroso é Imortal, aliás, triplamente Imortal. Evidentemente, não estou me referindo a Imortalidade da Alma, pois, como Integralistas, todos temos certeza da mesma, mas, a outro tipo de imortalização.

2 – Gustavo Barroso foi jornalista, advogado, folclorista, educador, político, sociólogo, historiador, mitólogo, museólogo, geógrafo, romancista, contista, cronista, poeta, enfim, polígrafo de ilimitados recursos.
Sem exagero, o Brasil é abençoado por Deus, pois, sua floração de intelectuais não tem concorrentes em outro País: Gonçalves Dias, Castro Alves, Fagundes Varela, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Olavo Bilac, Alphonsus Guimarães, Mário Pederneiras, Bernardino Lopes, José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Bernardo Guimarães, Machado de Assis, França Júnior, Martins Pena, Coelho Neto, Graça Aranha, Inglês de Souza, Franklin Távora, Domingos Olímpio, Xavier Marques, Lima Barreto, Capistrano de Abreu, Rocha Pombo, Afrânio Peixoto, Afonso Taunay, Oliveira Lima, Joaquim Nabuco, Campos Sales, Afonso Celso, Oliveira Viana, Alberto de Oliveira, Euclides da Cunha, Couto de Magalhães, Barbosa Rodriguês, Batista Caetano, Nina Rodriguês, Pandiá Calógeras, Pires do Rio, Ronald de Carvalho, Jackson de Figueiredo, Eduardo Prado, Tavares Bastos, Melo Morais, Sílvio Romero, João do Rio, Leonel Franca, Farias Brito, Rui Barbosa, Alberto Torres e poderíamos ficar dias inteiros enumerando os grandes escritores e pensadores Brasileiros e não terminaríamos a relação... E Gustavo Barroso é um desses gigantes.

3 – Gustavo Barroso nasceu em Fortaleza, Capital do Ceará, em 29 de Dezembro de 1888, tendo sua mãe falecida poucos dias após o seu nascimento, e sendo o seu pai muito ocupado pelo trabalho, sua educação ficou aos cuidados da avó e duas tias solteironas. Teve uma infância alegre, despreocupada e arteira.
Nos estudos, seu pai não permitiu a Escola Militar, então, foi matriculado no Liceu do Ceará; posteriormente, ingressou na Faculdade de Direito de Fortaleza, onde iniciou sua vida de intelectual, tendo publicado seu primeiro artigo em 1906. Começa a participar da Imprensa no Ceará e a colaborar com os Jornais do Rio de Janeiro, usando o pseudônimo que viria a tornar-se famoso “João do Norte”. Em 1910, desiludindo-se com a política local, muda-se para o Rio de Janeiro, onde fixa residência. Mas, no Rio, a vida não seria fácil, passou fome, dormiu em bancos nas praças, passou muita necessidade, até que conseguiu um emprego.
Retoma seus estudos de Direito, passa a colaborar no Jornal do Commercio. No Rio de Janeiro, escreve e publica mais de 160 Livros, começando por Terra de Sol (1912) e terminando por Mississipi (1961, editado postumamente). Tendo publicado uma vintena de Livros entre 1912 e 1922(Ao Som da Viola, Heróis e Bandidos, Pergaminhos, Praias e Várzeas, A Ronda dos Séculos, Uniformes do Exército Brasileiro, etc.), que o projetaram nacional e internacionalmente, e acaba sendo eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 1923.
A Academia Brasileira de Letras é uma instituição que reúne os mais brilhantes literatos do Brasil. Fundada por Machado de Assis, suas quarenta Cadeiras são disputadas. Pois bem, o lema da ABL, em latim, diz: “AD IMMORTALITATEM”, para a imortalidade. Assim, eis Barroso imortal.
Mas, Barroso não se acomoda à glória e continua escrevendo e publicando (Almas de Lama e Aço, Alma Sertaneja, O Annel das Maravilhas, Aquém da Atlântida, Através dos Folclores, O Brasil em face do Prata, A Guerra do Flores, A Guerra do Lopes, A Guerra de Artigas, A Guerra do Rosas, A Guerra do Vidéo, Inteligência das Cousas, O Sertão e o Mundo, Luz e Pó, entre outros), acumulando mais honrarias no Brasil e no Exterior. Em 1919 foi Secretário da Delegação Brasileira à Conferência de Paz, em Paris, onde elaborou-se o célebre Tratado de Versalhes. Em 1922, como coroação de um trabalho metódico, funda o Museu Histórico Nacional, de que foi Diretor quase até sua morte em 1959.

4 – Em 1932, outro famoso escritor Brasileiro, Plínio Salgado, funda um Movimento Político chamado Integralismo, cuja Doutrina é perfeitamente sintetizada em nosso lema “Deus, Pátria e Família”.
Gustavo Barroso filia-se a esta nova corrente política em 1933. Barroso era então um dos mais importantes intelectuais Brasileiros e sua adesão repercutiu em todo o Brasil. Em breve, outros tantos e brilhantes Pensadores Nacionais também se filiaram ao Integralismo: Tasso da Silveira, Câmara Cascudo, Alcebíades Delamare, Mansueto Bernardi, Raimundo Padilha, Miguel Reale, Madeira de Freitas, Ovídio Cunha, Hélder Câmara, Machado Paupério, Rocha Moreira, Machado Florence, Contreira Rodriguês, Everardo Backheuser, Jaime Ferreira da Silva, Américo Jacobina Lacombe, Belisário Pena, Helio Vianna, etc.
Barroso continua escrevendo: O Quarto Império, Espírito do Século XX, Reflexões de um Bode, Brasil – Colônia de Banqueiros, O Integralismo e o Mundo, O Brasil na Lenda e na Cartografia Antiga, O Livro dos Enforcados, Portugal – Semente de Impérios, História Secreta do Brasil, A Palavra e o Pensamento Integralista, História Militar do Brasil, O Integralismo de Norte a Sul, A Sinagoga Paulista, O Integralismo em Marcha, Integralismo e Catolicismo, Judaísmo, Maçonaria e Comunismo, Comunismo, Cristianismo e Corporativismo, O que o Integralista deve Saber, etc.
Ora, o Movimento Integralista tem diversos Rituais, e um deles, dedicado aos Integralistas falecidos, diz: “No Integralismo ninguém morre! Quem entrou neste Movimento imortalizou-se no coração dos Camisas Verdes!” Eis aí conquistada a Segunda imortalidade de Gustavo Barroso.
Escritor prolífico – só superado por Coelho Neto -, Barroso prossegue editando seus Livros, paralelamente as suas atividades no Museu, na ABL, etc.: As Sete Vozes do Espírito, Segredos e Revelações da História do Brasil, Quinas e Castelos, Seca e Meca e Olivais de Santarém, História do Palácio do Itamarati, Introdução à Técnica de Museus, Nos Bastidores da História do Brasil, etc.

5 – Gustavo Barroso falece em 03 de Dezembro de 1959.
Gustavo Barroso batalhou incansavelmente pelo Povo Brasileiro, por sua felicidade, e todos os seus esforços e lutas como Jornalista, como Secretário de Estado, como Professor, como Deputado Federal, como Representante Brasileiro em Conferências e Exposições Internacionais, como Político, como Membro destacado da Academia Brasileira de Letras, como Fundador e Diretor do Museu Histórico Nacional, etc., são a prova viva de sua dedicação ao nosso Povo, que ele amava profundamente. Barroso faz parte da Galeria dos Heróis Nacionais, ao lado de Tamandaré, de Raposo Tavares, de Pedro Teixeira, de Caxias, de André Vidal de Negreiros, de Henrique Dias, de Felipe Camarão, de Osório, de Alexandre de Gusmão, de Zumbi dos Palmares, de D. Pedro I, de José Bonifácio, do Barão do Amazonas, de Rondon, de Dom Pedro II, da Princesa Isabel, de Carlos Gomes, de Villa-Lobos, de Tiradentes, de Santos Dumont e tantos mais. Eis a terceira Imortalidade de Gustavo Barroso, aquela que atribuímos aos nossos Heróis Nacionais, que estão sempre vivos em nossa História e devem nos servir permanentemente como modelos, como exemplos que devemos seguir diante da Pátria, para engrandecê-la e nos tornarmos também Heróis Nacionais algum dia.

Assim, provamos por um exame sucinto da Vida e Obra de Gustavo Barroso que ele é triplamente imortal: Imortal nas Artes, Imortal para os seus Companheiros de Ideal Integralista, Imortal para a Nação Brasileira.

6) Integralistas, de pé!

Vou proceder à chamada do Companheiro Gustavo Barroso, antes, porém, peço um minuto de silêncio.

Gustavo Barroso. Presente!

Companheiros, no Integralismo ninguém morre! Quem ingressou neste Movimento imortalizou-se no coração de todos os Camisas Verdes.

Ao Anunciador do Quarto Império, ao Arauto da Quarta Humanidade, ao Vanguardeiro da Nova Era, ao Trimegisto dos tempos modernos, ao Companheiro Gustavo Barroso, três Anauês!

Anauê! Anauê! Anauê!

*Palestra proferida nos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ (FIB-RJ).

** Σ – Comerciante – Rio de Janeiro (RJ).


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

CARTA À MOCIDADE BRASILEIRA



Gustavo Barroso.

Moços do meu Brasil,

O crepúsculo que Barbusse previu logo depois da grande guerra alastra pelo mundo as suas sombras tristes. O liberalismo impotente e hipócrita agoniza. O credo comunista cria duas humanidades, declarando que nem a morte apaga o antagonismo entre o operário e o burguês. Mais horrendo que o fantasma das discórdias civis, se ergue o espectro da guerra das classes. Ao embate das contradições, o nosso país corre para o naufrágio. Só a mocidade, que é o futuro, lhe resta como tábua de salvação, somente ela é capaz de renová-lo, como, ao som da Giovinezza, reformou a Itália, consertou Portugal e redimiu a Alemanha.

Do alto das serranias do meu pátrio Ceará, quando o sol inclemente das secas combure os esqueletos das caatingas e todo o sertão imenso se alonga nu e preto, as copas verdes dos juazeiros úteis e heroicos, cuja sombra abriga a rês sequiosa e o vaqueiro emagrecido, cuja rama e cujo fruto alimentam o gado e o retirante, pontilham a desolação. Quanto mais a estiagem se prolonga, quanto mais a canícula dos longos dias de estio calcina a terra infeliz, e mais cresce a solidão, e mais aumenta a agonia, mais viçoso, mais belo, mais senhoril e mais verde pompeia o juazeiro, como um estandarte de Esperança!

Sede como o juazeiro, moços do Brasil! Sede como o juazeiro, eretos, varonis e sempre cheios de fé, tanto mais eretos, mais varonis e mais cheios de fé quanto mais cresçam as dores, e aumentem as provações e se multipliquem as dificuldades!

Meu olhar se espraia pelos largos horizontes da Pátria e avista as negras nuvens que ficaram para trás, e os nimbos escuros que se adensam à nossa frente. A complexidade dos problemas nacionais desafia o esforço da geração nova. Na vasta planície lamacenta dos preconceitos e da inércia, das chatices e dos conchavos pessoais, os moços idealistas, ainda não contaminados pelas baixezas do ambiente, são os úteis e heroicos juazeiros verdes em que residem as derradeiras esperanças do Brasil, moços de hoje, homens de amanhã, construtores da futura sociedade.

Unicamente vós podereis opor barreiras intransponíveis ao alude das maiorias incapazes e aos assaltos das minorias estéreis que guerreiam a arte e a ciência, que combatem os mais altos, nobres e sagrados ideais humanos, pretendendo reduzir o panorama das pátrias a pântanos peçonhentos ou monótonas estepes moscovitas. Somente a mocidade poderá salvar o mundo.

Falo-vos com o coração, do meio do caminho de minha vida, em que não pratiquei um ato de que me possa envergonhar. Falo-vos com a convicção duma doutrina e com a força dum idealismo construtor. São já demasiadas as ruínas que enchem a superfície da terra. Antes de descer a ladeira sombria da montanha que trabalhosamente subi, sorrio de prazer, porque avisto por cima da paisagem causticada de sol, agitados ao vento da manhã radiosa, os verdes e gloriosos estandartes da mocidade!

(Transcrito na íntegra da página 07 até a 12 do Livro “O Integralismo em Marcha”. 1. ed. Rio de Janeiro: Schmidt, Editor.  1933.)

FONTE: http://integralismo.blogspot.com.br/2013/03/carta-mocidade-brasileira.html